MOVNI lança videoclipe em parceria com Oldi
“Ser em transformação” fará parte da primeira mixtape do grupo.

Texto por: Jusciane Matos

No dia 14 de julho o MOVNI lançou a música “Ser em transformação” que fará parte da “SpaceTape#1: SIGA O COELHO BRANCO” com previsão de lançamento ainda este ano. O trabalho que é uma parceria entre Nauí Movni e Oldi de Juiz de Fora, retrata como a evolução individual é importante também para a evolução coletiva. “Nós estamos na missão de aprender e evoluir dia a dia e é natural que isso reflita na letra da música que fala da força, da vibração e da intuição que cada ser carrega em si e nos puxa para a direção certa”, reforçou Nauí.

Outro ponto importante é a importância que Oldi atribui às rodas de freestyle. Em um dos trechos o rapper diz que é na roda que os desconhecidos se reconhecem e fazem dos improvisos a força transformadora que fortalece a aliança entre os MCs. E foi justamente em uma dessas rodas que os artistas de rua, um do Centro-Oeste e o outro do Sudeste, se conheceram e decidiram fazer o som juntos.

Sim eu sei. Sou mais um ser em transformação. Sim, mais um ser em evolução. Sou mais um ser humano que entende o plano de seguir a voz do coração”.  A ideia de que nada está pronto e acabado é apresentada no refrão que ajuda a refletir como é importante a busca pelo autoconhecimento. Além da busca interior e individual, a música mescla com reflexões de o quê cada ser constrói durante sua passagem. “O que tu deixa pro mundo de herança? Qual é a tua dança? Qual é tua criança? O que te move e comove? O que tu recebe e devolve?”.

Essas reflexões tiveram como pano de fundo o Setor de Diversões Sul, conhecido como Conic, uma área importante para a produção cultural independente de Brasília onde o clipe foi gravado.

Conheça a música aqui https://youtu.be/YULTDQ-NXWA


Rappers brasilienses criam letras que convidam os ouvintes para dimensões espaciais e reflexões que expandem a consciência.



Por: Jusciane Matos


Há quem pense que todo brasilense curte um rock de bandas de garagens, ou frequenta os muitos porões do DF. Mas quando o assunto é estilo musical, Brasília dá um show de mistura de ritmos e há muitos que pegaram o caminho inverso e já estão transformando a famosa capital do rock, também na do Rap. A cidade que consagrou artistas como GOG, Câmbio Negro e Japão - líder do grupo Viela 17 -, traz uma nova geração de rappers que inovam e misturam elementos de vários gêneros.

Exemplo dessa nova remessa é o MOVNI, trio composto por Afroragga, Nauí e Doctor Zumba. Oriundos do freestyle, foi nas batalhas de rima que se conheceram e juntos ressaltaram o que há de melhor em cada um. Assim, criaram a Música Orbital Viajante Não Identificada, ou seja, o MOVNI.

Sem estereótipos e preconceitos, o grupo adere desde o canto gutural até o reggae. A liberdade criativa é o carro-chefe dos artistas e para eles, criar, recriar e experimentar é natural. Afroragga acredita que essa é a essência do Rap: o experimento. “Falar em rap experimental é uma redundância porque esse é um estilo que já nasceu com essa característica: experimentar várias batidas.”



LIBERDADE COMO ESTILO

Os dreadlocks e os Black Powers compõem o estilo livre dos garotos que pretendem viver de música no cenário independente.  Inspirados em vários artistas, entre eles Tech N9ne e seu selo Strange Music, os membros do MOVNI intitulam-se como cientistas sonoros e buscam com suas pesquisas, descobertas e criações trazer para o público uma experiência de música que transcende barreiras e abduz o ouvinte para outra dimensão. “Nós pretendemos abduzir as pessoas que se dão a chance de ouvir o MOVNI. Apresentamos um novo mundo musical, uma nova forma de ver o mundo. Nossa abdução é o sequestro da mente da pessoa, trazemos a atenção dela para o nosso som e depois a pessoa é livre para enxergar como preferir”, explicou Afroragga.
A surpreendente qualidade vocal do trio, segundo eles, é instintiva. Nauí explica que ainda não houve oportunidade de nenhum dos integrantes estudarem música formalmente, mas a base no freestyle ajudou muito o grupo. “As batalhas instigam a nossa criatividade, nos motiva a sentir o som. Nosso estudo é assim, 70% intuitivo e de observação, mas pretendemos focar no estudo, na metodologia para aperfeiçoar.”
Doctor Zumba também ressalta que mesmo sem estudo formal, o grupo estuda constantemente, seja analisando outros artistas, como experimentando novas formas de fazer a música em ensaios.       

INVASÃO MOVNI
“Se você cansou de ouvir nas rádios canções iguais, Movni transcende sua mente em versos espaciais. Tropicalista extraterrestre avisa: alienígenas da música chegaram pra ficar.” Assim como nesses versos da música Invasão, o grupo pretende fazer seu papel de protesto social: expandindo a mente dos ouvintes. Para Zumba, o lado social das letras do trio é para “instigar nas pessoas uma expansão de consciência para que elas possam enxergar as coisas mais amplas possíveis e, assim, evitar colocar sempre a desculpa dos seus fracassos em terceiros”. E concluiu: “nossa preocupação maior não é protestar contra uma ou outra instituição, pois nós acreditamos que a verdadeira revolução está dentro de cada um”.
Além disso, o grupo acredita que às vezes a “cura” para muitos problemas está na troca de energias das pessoas. “Nós não sabemos onde vamos estar nos próximos anos, temos consciência da mutação do ser humano e isso nos ajuda a evitar o determinismo. Acreditamos também no processo de cura pela reflexão e pela energia. Essa é uma grande preocupação nossa quando fazemos uma música: passar essa energia boa para quem nos escuta. O palco é nosso templo”, garantiu Nauí.

Saiba mais em - www.movni.com.br

MOVNI demonstra força criativa e musical no projeto “Toda Terça” com divulgação de músicas semanais


Por: Jusciane Matos

Em 2016 o MOVNI inovou mais uma vez. Ainda no quinto mês do ano e nove músicas já foram lançadas. Entre março e abril, o grupo apresentou o projeto “Toda Terça” com o objetivo de presentear os fãs com um lançamento semanal. “A ideia era lançar num dia fixo da semana as músicas que estavam acumuladas e outras que estavam sendo feitas no mesmo período.”

As músicas que futuramente farão parte da Space Tape - Volume 1 (Space Tape é o derivado movnizado do termo MixTape) são as mais diversificadas possíveis. Fazem desde críticas ao egocentrismo e o pensamento limitado em “Linha” e a evolução individual de cada ser em “Advento” até o autoconhecimento e espiritualidade em “Não espere o seu Morpheu” e “Siga o Coelho Branco”, uma referência ao filme Alice no País das Maravilhas.

Dentro do projeto, os rappers lançaram também o videoclipe de “Advento”. Uma composição que mostra o habitat de cada MOVNI. “A gente colocou dessa forma porque a música fala de transformação pessoal e é dentro desses lugares retratados no vídeo que parte dessas transformações são assistidas ou realizadas”.

No canal do Movni no Youtube, as visualizações das músicas do projeto chegam a quase 10 mil até o momento. A aceitação dos fãs foi positiva e entraram em sinergia com o grupo. “Na dúvida é só você seguir a vibração”, disse um dos seguidores.  Outro fã incentivou a continuidade do projeto “continuem postando manos, tô me amarrando!.”

Ainda não há data definida para o lançamento da segunda temporada do projeto “Toda Terça”, mas o MOVNI garante que haverá um segundo round com as produções do grupo nesse mesmo formato.

Veja a playlist do projeto Toda Terça:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLtROmGm4T2R5Kzb-mLVowi1-8oV-99cNH

Sucessor do primeiro álbum solo de Nauí “A Rua que Legalizou Capítulo 1: Estilo Freak”, o disco Atormentado tem gerado grandes surpresas para os ouvintes da música orbital.
Demonstrando maior amadurecimento musical e lírico, o dread lock alien da maior espaço nave musical da Galáxia veio bater um papo de MOVNI para MOVNI e revelar sua visão e acontecimentos sobre o disco.

1 - Quais são as maiores diferenças entre o seu primeiro disco solo e o atual Atormentado?
- É um disco mais bem estruturado, foi roteirizado antes de começar a ser feito, pensei bem e com calma a respeito das músicas e participações. Amadureci no quesito letra e lirismo. A sonoridade também é bastante diferente, mais densa, tem mais peso vocal. O disco pra mim foi extremamente catártico, a sensação que tive ao fazer foi de ser exorcizado, pude transformar meus tormentos em mensagens positivas e explosivas e ainda dividir esses sentimentos com inúmeras participações, convidei alguns MCs a entrarem no meu mundo e expor seus tormentos também e eles mergulharam de cabeça. Já o primeiro disco foi feito as pressas e tem uma atmosfera mais divertida, reflete bem o meu estado de espírito da época.

2 – O que você mais gosta em cada Nauí desses discos: A Rua Que Legalizou, Laboratório e Atormentado?
- Da diversidade sonora que cada trabalho tem, nos meus trabalhos solos eu sigo meu estado de espírito, interiorizo bastante, se estou família faço um álbum família, se estou explosivo faço um álbum carregado e assim vai. Já no MOVNI são 3 cabeças pensantes somando energias, o processo de criação já é bem diferente, geralmente os trabalhos são pensados, roteirizados e discutidos. O divertido do MOVNI é que cada obra parece um filme, tem atmosferas, personagens, contexto, roteiro, etc.

3 – Como tem sido a recepção dos ouvintes?
- Muito boa! Vários manos chegam até mim e falam que melhorei nas letras, na sonoridade e que o cd é quase um disco de metal. Realmente meu lado rock n roll está mais evidente nesse trabalho.  Também é comum receber retornos do tipo “cara você conseguiu me ajudar a lidar melhor com um lado dark meu”. O ser humano tem lados obscuros dentro de si e é importante saber lidar com essa energia, a música é uma ferramenta pra conseguir expelir essas vibrações pra deixar o alívio entrar no corpo.

4 – Quais são os comentários e elogios que mais te chamaram a atenção sobre o novo álbum?
- Na real a galera tem elogiado bastante, alguns disseram que o disco está extremamente original, outros que avancei um degrau, um me falou que não escutava algo tão bom na capital há um bom tempo. A grande verdade é que recebi bastante carinho por conta do disco, sou grato à energia positiva dessas pessoas, alimentam a vontade de continuar e revitalizam as vibrações sonoras.

5 – Quais são as músicas que você mais gosta no Atormentado?
- Atormentado, Não Tenho Medo, A Lua e a Estrela Cadente, Quem Sabe Outr’ora, Meu Maior Temor e Ponto de Ebulição

6 – Qual é o trecho da letra que você mais gostou de escrever nele?
- Não sei dizer ao certo, o que vem na minha cabeça agora é “poeta não é palhaço e faz o circo pegar fogo” da canção “Coringa”. Acho extremamente anárquica essa frase. Quando a canto sempre passa na minha cabeça algo do tipo “yeah! Vamo tacar o terror nessa merda”

7 – Existe alguma explicação ou mistérios sobre o álbum que você acharia importante revelar ou informar para os MOVNIZADOS?
- O disco é um grito de algumas coisas que me atormentam, veio de dentro pra fora. Eu quis dividir esse grito com pessoas que conheci e fiz amizade na carreira musical, em especial na Batalha de MCs, gosto de dizer que o álbum é de colaboração, que pude fortalecer alguns músicos e vice versa, essa simbiose está presente no álbum, não é a toa que tem 14 participações diferentes. Há também analogias e músicas baseadas em filmes, Camisa de Força, por exemplo, é inspirada nos filmes: Bicho de 7 Cabeças e Ensaio Sobre a Cegueira.  A faixa Coringa também não foi inspirada apenas no personagem da DC, Charles Manson também serviu de inspiração na construção da música.

8 – Existem planos, novidades e afins sobre o disco nos próximos meses?
- Sim, já soltei 2 vídeos no canal do MOVNI, são eles: Viver de Forma Natural e Atormentado. O primeiro tem participação dos manos do Um Barril de Rap e o segundo do Will poeta do DF. Virão mais vídeos e já tem faixas do disco inclusas nos shows do MOVNI.

9 – Quais são os planos sobre projetos futuros ?
- Agora o foco está nas apresentações ao vivo e na produção de dois novos discos do MOVNI. Vamos lançar uma “spacetape” em breve e já estamos gravando um novo disco.

10 – Mande um salve pros MOVNIZADOS

- Gratidão pelo carinho e amor de vocês pela Música Orbital Viajante Não Identificada. Vocês são prioridade e sempre me preocupo com a satisfação de cada um. Antes de cada show tento invocar boas vibrações pra emanar música sincera da melhor forma.
Como diz Max Cavalera “Vamo detonar essa porra!”

Para pedir a sua unidade do novo disco "Atormentado" mande e-mail para contato@movni.com.br

Para saber mais sobre o MOVNI acesse - http://www.movni.com.br/




"MOVNI é uma ideia advinda de seres plurais que sentiram necessidade de criar um som onde todas as suas influências fluíssem em sintonia. MOVNI ultrapassa a sonoridade e torna-se algo ainda mais elevado que a música, também poderiam ser denominados: Movimento Orbital Viajante Não Identificado, pois de fato tem virado um movimento que vem agregando pessoas que se identificam com o que é complexo, composto, diferente. Vejo a banda como uma Mãe, sai abraçando/abduzindo muitos que nunca conseguiram se encaixar em um estilo único, que nunca se enquadraram em padrões e que se sentiram de certa forma, excluídos desses grupos previamente delimitados. Mostra como esse modelo de sociedade pode estar equivocado, onde a tendência atual  tem sido a especialização - cada vez mais as pessoas sabem muito de pouco e pouco de tudo - a banda tem uma proposta de pluralização e interdisciplinaridade, muito do todo, tornando-se cada vez mais "independente sonoramente", ilimitado. A junção dos três MC’s é um triunfo. Afroragga vem mais melódico, a alma do bagui, sempre com uma mensagem impossível não se compreender e não se identificar. Nauí é estilo freak, manda rimas inusitadas, tem sacadas que vão de geniais a engraçadas, a meu ver seria uma espécie de Black Alien Metal da galera, mais metafórico e subliminar. Doctor Zumba apela desde o dia que nasceu, tem um flow ímpar, sua voz é singular, e suas letras são reais e bem espontâneas, acredito que ele seja daqueles que  “deixa fluir”. O que você pode esperar ouvindo MOVNI? Energia, força, swing, mensagem. Temáticas abduzentes, mágicas. Melodias que provocam o autoconhecimento: onde eu me encaixo aqui? Qual é o sintetizador, ou qual a rima que essa música tem em comum comigo? Nos induz a nos procurar e achar nas faixas do Álbum. MOVNI é complexo e sua magnitude é percebida aos ouvintes com uma sensibilidade artística mais aflorada, mas é muito democrático: se você gostar de música pra dançar - vai dançar, se gostar de música pra pensar - vai pensar. Tem música que é densa, outras que fazem levitar, tem de tudo o que é bom e para todos. No fim o que importa é que essa novidade sonora mantêm suas sinapses cerebrais em constante explosão."
 
E pra você? O que é MOVNI?
 

Dissecando AfroRagga MOVNI


 
Você começou sua caminhada cedo. Como a música entrou na sua vida?
 
      Minha mãe é uma pessoa sintonizada profundamente com música. Ela adora ouvir música o dia inteiro e quando eu era criança ela era bem intensa com isso. Curtia essa onda musical comigo. Ficava me instigando a ouvir sons de diversos estilos. Ela ouvia música de uma forma diferente da maioria porque ela não tinha rótulos e nem se importava com o estilo, ela só queria sentir o som que agradava o ouvido dela.
      Meu pai curtia cantar nos sambas da cidade por diversão, sem compromisso profissional. Mas ele fez isso por muitos anos e eu herdei a habilidade de canto natural dele. Foi assim que a música entrou na minha vida com um grande curso intensivo dentro de casa.
 
O que te inspira na hora de compor um som?
 
      Eu adquiri a habilidade de tentar desvendar os mistérios de cada instrumental, de cada batida. Cada instrumental tem um mistério a ser resolvido. Tem áreas não exploradas a serem mapeadas. Hoje é como resolver um problema matemático e esse processo me traz muito prazer, tentar encontrar as soluções de cada música (instrumental, tema ideal pra batida e levada sintonizada com a frequência e clima da música). Então diria que a minha inspiração é diferente - é sentir o prazer em resolver os mistérios de cada música.
 
Como você procura escolher e aplicar as diversas influências sonoras nas suas obras?
 
      Não tenho um processo específico para escolher quais influências aplicar mas sim o hábito de ouvir muita música de diversos estilos e criar um arsenal na mente. Arsenal de linhas vocais, sonoridades e possibilidades de tons. O mais interessante é que além de usar a influência eu tenho a obrigação de adaptar essa influência com o meu estilo gerando assim uma originalidade na criação. A ideia e estender o melhor de si mesmo. Você criar um menu de roupagens do seu tamanho vocal. Explorar a si mesmo é o segrego da originalidade.